quinta-feira, 29 de maio de 2008

UMA NOITE NO HOSPITAL...


Não sei quem é que organiza as rondas dos hospitais, mas vou te contar, essas pessoas são péssimas na logística da coisa! Para mim é muito simples: todos os medicamentos deveriam ser ministrados até no máximo meia-noite e os procedimentos de rotina só deveriam começar a partir das seis horas da manhã. Isso garantiria, pelo menos, seis horas de sono, mais ou menos decentes, para pacientes e acompanhantes, já que os medicamentos são administrados de seis em seis horas ou mais! Salvo raras exceções, o que não é o caso do meu pai, por exemplo!

O véio Saul está internado faz seis dias - e ainda vai ficar, no mínimo, mais sete dias - e eu tenho dormido com ele dia sim, dia não.

OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: É impossível uma pessoa permanecer sã, bem-humorada, atenta, racional, disposta e alegre depois de dormir duas noites seguidas num hospital. Por isso eu e Alessandra temos nos alternado à noite, e minha tia Altiva e Alessandra alternam durante o dia. Meu irmão está com uma gripe terrível e não pode ficar com meu pai, por enquanto.

Bem...o problema já começa com aquele sofá-cama, que não é dos mais confortáveis, mas se fosse só isso, tudo bem. O problema é o entra e sai do quarto, que não deixa nenhum cristão ter um sono tranqüilo e reparador.

Vou tentar relatar o mais fielmente posssível a SAGA DE UMA DAS NOITES NO HOSPITAL:

Ontem cheguei lá por volta das 20:30. Vi um pouco de TV, li um pouco e fui "tentar" dormir por volta das 23:00.

Primeira visita da enfermeira (que eu presenciei), às 21 horas: para levá-lo para fazer um raio X (isso mesmo! Raio X às 21 horas!). E o "raio", do raio X, não é no quarto, óbvio! Meu pai teve que se deslocar até uma sala especial para isso que fica lá no fim do mundo do hospital; Tira meu pai da cama, coloca na cadeira de rodas, coloca o oxigênio, vai até o local, tira as chapas, coloca meu pai a cadeira de novo, retorna com ele para o quarto. O procedimento demorou aproximadamente 20 minutos.

Segunda visita da enfermeira, às 22 horas: para medir a pressão arterial, saturação de oxigênio e taxa de glicemia;

Terceira visita às 22:30: para administrar doses de três medicamentos orais que ele está tomando;

Imaginando que não teria mais visitas, às 23:00, achei que essa era uma boa hora para desligar as luzes e "tentar" dormir...

LEDO ENGANO!

Às 23:30 surgiu a enfermeira para uma quarta visita: nebulização! (o problema do meu pai é respiratório). Esse procedimento durou aproximadamente 20 minutos. Tentei dormir, mesmo com o barulhinho. Consegui. Depois do que me pareceu apenas 1 minuto, após ter pegado no sono pesado, acordei com a porta sendo aberta e as luzes acesas. Olhei para o relógio do meu celular: 00:47! Puta que pariu!!!!! O que mais ainda faltava fazer no pobre do meu pai, que, coitado, também não devia estar conseguindo dormir? Descobri: Aplicação de uma injeção anti-coagulante (se é que não estou enganada! É uma que é dada na barriga e dói "como o quê", segundo o véio Saul). A essa altura já estava me perguntando se as visitas eram de hora em hora...mas não quis ser indelicada com a enfermeira. Coitada tá lá dando o plantão dela! (suspiro). É, eu tento ser compreensiva!

Enfim consegui dormir algumas horas...até que ouvi meu pai me chamar para pegar o papagaio (aquele treco que os homens usam no hospital para fazer xixi, as mulheres fazem num treco chamado comadre - ainda vou pesquisar a origem desses nomes!). Olhei no relógio do celular novamente: 3:12. Mas aí é justo, o "véio" precisava de um "xixi break". E eu também! :)

Ainda bem que não foi a enfermeira, àquela altura acho que a minha compreensão com a classe delas já estava indo para o brejo!

Voltei para meu "confortável" sofá-cama e, poucos "minutos" após adormecer (pelo menos assim me pareceu!), ouvi um BOM DIA alegre e saltitante: era mais uma enfermeira. Daquela vez, para tirar sangue! Que horas??? 5:23!
Porra! (desculpem-me pelo linguajar, mas foi exatamente assim que pensei!), se a "pindoba" do café do paciente só chegaria depois das 7:00, porque o diabo do exame de sangue tinha que ser tão cedo??? (ui! azeda, azeda, azeda àquela altura do campeonato! Mas...só "pensei", nada falei! Eu sei, eu sei...vários pacientes, poucas enfermeiras...continuo tentando ser compreensiva com a classe, afinal de contas elas são muito profissionais, educadas e tratam meu pai como um rei!)

Virei para o lado e adormeci (tenho a sorte de conseguir dormir de novo, pelo menos!).

Às 6:31 entrou o rapaz para recolher o lixo do banheiro (isso é realmente necessário tão cedo?!?!?!?!). Barulho e luzes acesas novamente. Apelei para a paciência de um Dalai-Lama! Nada!
Mas consegui pensar: tadinho dele (rapaz que foi recolher o lixo do banheiro), trabalha literalmente no lixo e eu aqui querendo reclamar...ainda bem que guardo os pensamentos comigo, ou divido com vocês, aqui no blog. :) Melhor que descarregar em quem não tem nada a ver com isso e só está fazendo o seu trabalho honesto.
A essa altura minhas costas doíam, meu humor não estava dos melhores, já estava completamente acordada, mas ainda me sentia cansada, e por isso permaneci deitada. Não zen, mas, ao menos, uma verdadeira guerreira do sono, tentando mais um cochilo antes de começar mais um dia de trabalho e preocupação.

Às 7:23 entra a moça do café: mais um BOM DIA esfuziante! Mais uma vez eu acordei. Já perdi a conta de quantas vezes foram. Decidi, pelo bem da minha sanidade mental, que deveria levantar, não dava mais! Sempre acordo de bom-humor, mas após essas noites que passo no hospital, acho que sou capaz de "rosnar" até para o Brad Pitt se ele tentar me dar um "bom dia, flor do dia"!

Se vocês acham que a maratona acaba aqui...hahahahaha...antes fosse!

Levantei, arrumei o sofá-cama. Dobrei os lençois. Escovei os dentes, lavei o rosto, vesti uma calça, prendi o cabelo. Dei o café do meu pai e desci para tomar o meu. Voltei para o quarto, peguei minhas coisas, me despedi do meu pai (demonstrando bom-humor, afinal de contas já bastam os problemas de saúde dele) e fui buscar minha tia (para ficar ficar com ele durante o dia). Peguei minha tia, deixei ela no hospital e cheguei em casa por volta das 8:45. Tomei um banho, lavei o cabelo, sequei o cabelo, me arrumei: vestido, salto alto, perfume, maquiagem (tentando disfarçar as olheiras e melhorar a "careta") e tylenol (a cabeça estava explodindo) - às vezes dá um trabalho danado tentar ser mulher, profissional, filha, equilibrada, amiga, querida, boa motorista, vaidosa, penteada, cheirosa e mais ou menos normal!!!! :)

Por volta das 9:30 saí de casa, viajei 70 quilômetros até Pojuca (nem sei como não dormi no volante...como diria minha saudosa mãe: "é Deus que toma conta!"). :)
Trabalhei. O almoço, se é que posso chamar assim, foi uma pausa de 15 minutos para comer um pastel de bacalhau com suco de lima (nada além disso desceria no meu estomago).
Voltei para Salvador por volta das 17 horas (dirigi mais 70 quilômetros) e fui direto para o hospital.
Peguei minha tia, deixei em casa. Voltei para o hospital (gastei mais ou menos uma hora nesse percurso devido ao fluxo de veículos nesse horário - óbvio que fiquei irritada com o trânsito, a cidade está caótica, cada dia pior!). Fiquei um pouco com meu pai, conversamos, até que Alessandra chegou (UFA! Hoje a maratona noturna é dela! Tadinha!). Cheguei em casa perto das 20 horas. Cansada!
Em casa, tomei um banho quente, coloquei minha camisola, tomei um copo de leite (não tive ânimo para comer mais nada - acho que perdi uns dois quilos nesses últimos dias! - mas não reclamo, estava mesmo precisando perder uns quilinhos, só não precisava ser necessariamente com esse tipo de "dieta"...a famosa dieta da preocupação!).
Enfim, sentei no computador para dar um alô para os amigos e dar notícias aos familiares sobre meu pai. Conversar com pessoas queridas ajuda a equilibrar o humor e manter (?) a sanidade mental, ao menos dentro dos limites da normalidade. :)
E agora eis-me aqui: compartilhando com vocês a saga de uma filha, tentando, dar assistência ao seu querido pai no hospital e as agruras que sofrem, pacientes e acompanhantes, que passam as noites nesse tipo de estabelecimento (e é um hospital particular, muito bom, por sinal! Não quero citar nomes, mas fica na Graça). ;)
É nesse momento, que mais uma vez eu me pergunto: como é que meu pai consegue gostar tanto de ficar internado?????

E essa, queridos amigos, tem sido minha rotina nessa última semana, dia sim, dia não, porque, como disse lá em cima, se eu passasse duas noites, SEGUIDAS, como essa era capaz de cometer um assassinato! :)

E não pensem que sou marinheira de primeira viagem...sou macaca velha em jornadas noturnas hospitalares (já acompanhei minha avó, minha mãe e meu pai - esse último, várias e várias vezes!). Mas, DEFINITIVAMENTE, nunca me acostumo!

Vou deixar na caixa de sugestão do hospital o singelo pedido:

POR FAVOR: NOS DEIXEM DORMIR, PACIENTES E ACOMPANHANTES, AO MENOS DA MEIA NOITE ATÉ ÀS SEIS DA MANHÃ, SEM INTERRUPÇÕES!
Mas sabe que foi bom escrever sobre isso aqui no blog? Relatando minha saga confesso que só consegui achar graça da minha impaciência! :)

Agora preciso dormir. Desculpem os eventuais erros de pontuação e português, mas não tenho forças para corrigir nada agora. Meus olhos já estão pesados. Preciso realmente dencansar. E dessa vez vou dormir bem, na minha cama gostosa, meu quartinho escuro, silencioso...hummmm...que paraíso! Nem acredito! :)
Boa noite! :)


2 comentários:

Anônimo disse...

Mana, que rotina, isso que é guerreira.
Tu nao estás comendo nada!!!!
Faz favor de se cuidar neh! Desse jeito vc nao aguenta. E ao que me consta quem tem gastrite nao pode ficar muito tempo sem comer e muito menos jogar uma fritura no estomago vazio.. :/ Se cuida, se cuida, se cuida... beijao!

Cristiane Mota disse...

Oi irmãzinha,
Eu sei...eu sei...você tem toda razão! Preciso me alimentar melhor e de três em três horas (a gastrite anda gritando por aqui!). Mas hoje me comportei melhor, almocei arroz com frango (pouco, mas pelo menos foi comida de verdade!) Ah! E levei duas peras na bolsa (so comi uma, no meio da tarde, mas já é um começo! :) O apetite nao anda dos melhores. Acho que se continuar assim, no São João não precisarei levar nem calças para Floripa! hahahahaha...brincadeirinha!
Ah! E o pastel de bacalhau era de forno e não frito. Sou doida mas tenho juízo! :)
Obrigada pela preocupação, vou tentar me alimentar melhor e com mais frequência, afinal de contas dois doentes ao mesmo tempo não dá, né?
Além disso vou ter um descanso esse fds, Brando ficou bom da gripe e eu só vou ter que dormir no hospital na segunda! :)
Beijocas!