sábado, 3 de maio de 2008

INVEJA É SODA!


Descobri que sofro desse mal, a inveja. E é uma coisa generalizada, não é canalizada para algo ou alguém especificamente, mais ou menos assim:
Tenho inveja de quem tem um programa de rádio bacana, de quem leu Dostoiévski, de quem sabe fazer conta de cabeça, de quem canta bem, tenho muita inveja ainda de quem tem mãe viva, de quem tem filhos, de escritores talentosos, de quem come quilos de chocolate e não engorda, mas ultimamente tem uma inveja que está me matando:
A inveja das pessoas que se permitem sofrer por amor!
Pode parecer estranho, mas acho tão bonito isso de se esvair em lágrimas por alguém. Acho mesmo! De verdade! Lembrando Descartes, deveria existir uma máxima para algumas mulheres: "'Sofro', logo existo!"
Invejo as pessoas que sofrem no estilo melodrama mexicano, choram até o coração ficar apertado e pensam que o mundo não tem mais sentido sem aquele "moço" fazendo parte dele!
Mas não gosto do estilo "sofrimento eterno". Isso não, de jeito nenhum! Mas alguns dias ou semanas de dor do peito, isso deve fazer bem para a alma. Isso é bonito! Um pouco de tristeza antes de "levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima!"
Acho que falta isso na minha vida, não costumo me permitir viver o luto do final das minhas relações. Nos últimos anos o meu comportamento mais se assemelha à "filosofia" puríssima cantada(?) pelo Bonde do Maluco (?!?): "...não vale mais chorar por ele..."
Não que eu não chore, eu choro...choro muito! Só não choro pelos meus amores. Choro lendo Luna Clara e Apollo XI, choro assistindo Cinema Paradiso pela 15a. vez, choro vendo as fotos da minha mãe...ah! E quando quero fazer a "terapia do choro compulsivo", basta colocar um cd do Chico Buarque que começo a chorar copiosamente. Por exemplo, ouvir "Trocando em Miúdos" ou "Eu Te Amo" é choro garantido:
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"Eu vou lhe deixar a medida do Bonfim / Não me valeu / Mas fico com o disco do Pixinguinha, sim! / O resto é seu / Trocando em miúdos, pode guardar / As sobras de tudo que chamam lar / As sombras de tudo que fomos nós / As marcas de amor nos nossos lençóis / As nossas melhores lembranças / Aquela esperança de tudo se ajeitar / Pode esquecer / Aquela aliança, você pode empenhar / Ou derreter / Mas devo dizer que não vou lhe dar / O enorme prazer de me ver chorar / Nem vou lhe cobrar pelo seu estrago / Meu peito tão dilacerado / Aliás / Aceite uma ajuda do seu futuro amor / Pro aluguel / Devolva o Neruda que você me tomou / E nunca leu / Eu bato o portão sem fazer alarde / Eu levo a carteira de identidade / Uma saideira, muita saudade / E a leve impressão de que já vou tarde."
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Ah, se já perdemos a noção da hora / Se juntos já jogamos tudo fora / Me conta agora como hei de partir / Ah, se ao te conhecer / Dei pra sonhar, fiz tantos desvarios / Rompi com o mundo, queimei meus navios / Me diz pra onde é que ainda posso ir / Se nós nas travessuras das noites eternas / Já confundimos tanto as nossas pernas / Diz com que pernas eu devo seguir / Se entornaste a nossa sorte pelo chão / Se na bagunça do teu coração / Meu sangue errou de veia e se perdeu / Como, se na desordem do armário embutido / Meu paletó enlaça o teu vestido / E o meu sapato ainda pisa no teu / Como, se nos amamos feito dois pagãos / Teus seios ainda estão nas minhas mãos / Me explica com que cara eu vou sair / Não, acho que estás te fazendo de tonta /Te dei meus olhos pra tomares conta / Agora conta como hei de partir.
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Adoro chorar a estória de amor alheia, já que as minhas eu parei de chorar muitos anos atrás, mais precisamente no Farol da Barra. Pena que não existia iPod naquela época, já pensou que tiro certeiro esse trio: coração despedaçado, visual lindo e Chico Buarque ao fundo??? Renderia pelo menos umas 4 horas de choro ininterrupto! Mas eu devo ter ficado por lá uns 50 minutos. Chorando e fungando, chorando e perguntando porquê, chorando e perguntando o que eu tinha feito de errado...mas por fim sequei as lágrimas, tranquei meu coração e vou seguindo assim...às vezes me deixando arrebatar, mas com os dois pés sempre bem fincados no chão e sem arroubos de melodramas mexicanos.
Não que não tenha chorado outras perdas amorosas e queridas, chorei sim! Algumas mais, algumas menos, mas sempre sendo racional, um choro contido, mais cerebral! Sem realmente deixar o coração comandar o espetáculo.
E é disso que tenho inveja hoje, dessa intensidade toda! E devo confessar que, felizmente, isso espanta um pouco o meu cinismo e me dá uma certa esperança de que um dia, algum dia, eu me deixe levar nas asas de uma paixão louca e arrebatadora novamente! Não necessariamente para sofrer ao final dela, mas, principalmente, para ter aquela sensação de andar de montanha russa de novo!

:)


A ESTÓRIA DE THAÁ!: "apaga depois de ler!"

Estávamos na Cia da Pizza outro dia quando Johnny nos contou a estória de Thaá e eu ADOREI! Ele contou uma versão resumida, claro! Bem ao estilo masculino. Agora eu vou contar a versão da Thaá, longa e detalhada:

Thaá é o nome que uma moça utiliza no orkut, imagino que o nome real dela deve ser algo tipo: Thaálismara, Thaáliana, Thaáyara ou algo do gênero. Mas isso não vem ao caso e sim a estória de um dos seus depoimentos.


Tudo começou no dia que Thaá saiu para tomar um chopp com Miguel (este também possuidor de uma página no orkut!), um garboso, fogoso e insaciável rapaz (imagino isso pelo tal depoimento da Tah!). Conversa daqui, olhares intensos dali e Miguel acaba por passar a mão nas pernas de Thaá, essa por sua vez é toda receptiva aos carinhos dele. Pronto! Não dá outra: eles pedem a conta e vão parar no Motel Do-Ré-Mi, aquele ali na Pituba. Já no ônibus estavam se pegando, um fogo daqueles! Saltaram na Manoel Dias e, finalmente, adentraram o referido motel. Miguel negociou o quarto mais barato com o recepcionista, claro! Afinal de contas para que impressionar com a suíte ecológica se a merenda já estava garantida??

Entre as quatro paredes rolou DE UM TUDO!!!! Ou melhor...QUASE tudo.

Faltando apenas 20 minutos para acabar o período de duas horas Miguel resolveu fazer uma abordagem "traseira" na garota. Thaá, ao sentir uma pressão na porta de saída gritou:

OPA!!!! Aí não, violão!!!!

Miguel ainda tentou, falou, argumentou, pediu, cantou e quase até chorou para a garota "liberar o tonho sem ele dar 10 conto!" E Thaá dizendo NÃO! Foi quando decidiu apelar para uma famosa frase masculina:


"Poxa Thaá, se você gostasse mesmo de mim vc liberava..."

Mas a Thaá era dura na queda, e como já tinha "dado" para ele, achou que conseguiria garantir um segundo encontro segurando o engate na traseira!

Miguel ficou emputecido! Falou...falou...falou, mas não obteve êxito na sua empreitada. Vencidas as duas horas Thaá e Miguel saíram do motel.

Visões diferentes do encontro:

THAÁ - achando que tinha arrumado um namorado.

MIGUEL - puto porque não conseguiu entrar de ré na garagem da garota!

Mesmo sem trocar uma palavra com ela e com cara de poucos amigos, Miguel foi um cavalheiro e aguardou no ponto até ela pegar o ônibus para casa, um gentleman! (levar em casa de busú é phoda! Esperar no ponto já foi um ato de cavalheirismo e tanto).

Despediram-se com um selinho.

Thaá chega em casa, toda suspiros, achando que tinha "arrasado" com o rapaz e por isso decidiu dar sua cartada fatal: uma mensagem picante. E qual o veículo escolhido? O orkut, claro! Um local com a privacidade necessária para isso.

Como obter privacidade? Ora, mandando um depoimento e colocando assim:

APAGA DEPOIS DE LER TÁ???

O que ela escreveu?

Uma singela mensagem:
"Miguel, adorei a noite, você é um homem como poucos: viril, caliente e incansável! Só fiquei um pouco chateada com o lance do anal. Poxa, você tem que entender, era a primeira vez. A gente precisa ir aos poucos, da próxima vez você capricha no lubrificante e gente pode tentar, ok?

OLHA...NÃO ACEITA ESSE DEPOIMENTO NÃO, HEIN????? APAGA DEPOIS DE LER"

5 minutos depois ela entra no orkut para ver se o Miguel escreveu algo para ela...NADA!

15 minutos depois...NADA!

30 minutos depois ela decide deixar outra mensagem, agora mais discreta, na página de recados. Ela entra e percebe um assunto recorrente nas msgs deixadas pelos amigos dele:

"Comedor de c*!"

Choque! Espanto! Indignação!

Thaá pensa: Como assim??? Como ele foi capaz de aceitar o depoimento???? EU DISSE PARA NÃO ACEITAR!!!!

Enfurecida ela se arma de coragem e manda um recado:

"VOCÊ é UM IDIOTA MESMO" (me pergunto se "ele" foi o idiota...mas não vou ficar conjecturando...)

O melhor de tudo foram as mensagens dos amigos depois da Tah! chamá-lo de idiota...
"Porra velho vc é um otário, comia o c* primeiro, depois colocava o depô!"

"Perdeu de comer o c* da mina, meu!"

"Aêêê Miguel: comedor de c*!!!"

Não descobri se houve um final feliz para os dois. Será que Thaá perdoou Miguel e liberou o dito pra ele? Será que Thaá aprendeu a não enviar esse tipo de mensagem, mesmo que no depoimento? Será que eles estão juntinhos até hoje? Essas questões, importantíssimas, não param de rondar minha mente!
Na foto acima está o registro do ocorrido.

Pois é, esses são os tempos do orkut. Por isso, pensem duas vezes antes de enviar um depoimento para alguém, mesmo seguido dessas palavrinhas:

NÃO VAI ACEITAR O DEPOIMENTO NÃO, HEIN???

:)