Dor.
Na última terça-feira, 06/05/08, seria o aniversário da minha mãe. O segundo aniversário dela sem estar presente conosco. Tudo tão rápido. Meu Deus! Às vezes eu queria que o ano de 2006 fosse abolido do meu calendário, como isso não é possível sigo em frente sorrindo e brincando, mas carregando comigo uma dor que não divido com ninguém, que mantenho trancada dentro de mim. É uma dor no peito que não cessa, nunca cessará e com a qual ainda estou tentando aprender a conviver. Percebi que preciso falar sobre a minha perda e foi por isso que resolvi escrever e compartilhar um pouquinho dessa minha dor.
Na última terça-feira, 06/05/08, seria o aniversário da minha mãe. O segundo aniversário dela sem estar presente conosco. Tudo tão rápido. Meu Deus! Às vezes eu queria que o ano de 2006 fosse abolido do meu calendário, como isso não é possível sigo em frente sorrindo e brincando, mas carregando comigo uma dor que não divido com ninguém, que mantenho trancada dentro de mim. É uma dor no peito que não cessa, nunca cessará e com a qual ainda estou tentando aprender a conviver. Percebi que preciso falar sobre a minha perda e foi por isso que resolvi escrever e compartilhar um pouquinho dessa minha dor.
Comportamento.
Na época da doença da minha mãe algumas pessoas estranharam meu comportamento. Até eu me surpreendi. Achei que iria desmoronar. Mas não aconteceu. É incrível a força que aparece e que nos sustenta nessas ocasiões. Acho que nunca temos a atitude correta, mas apenas aquela que julgamos mais acertada em determinado momento ou situação. Foi por isso que, naquele momento e naquela situação, eu optei por reprimir o choro e guardar a dor. Guardei muito bem escondida, para que ninguém visse como eu estava sofrendo. Principalmente minha mãe. Queria que ela me visse como sempre fui: forte e alegre! Se foi certo ou errado, não sei. Mas foi minha opção naquele momento, foi como agi.
Perda.
Quando perdi minha mãe, perdi minha fortaleza. Perdi a pessoa que mais me amava no mundo. Aquela pessoa que se eu sentisse um dorzinha qualquer se preocupava e me ligava várias vezes para saber se eu estava bem. Aquela que me ajudava, mesmo quando eu fazia minhas besteiras. Aquela que sempre queria me aconselhar para o meu bem, mas que eu nunca soube escutar de verdade (na minha arrogância eu não tinha muita paciência, achava que minhas verdades eram únicas). Hoje eu queria tanto que ela me desse um conselho, um abraço, que me desse colo. Tenho tantas coisas que queria contar para ela. Dividir meus problemas. Compartilhar minhas conquistas. Beber das suas sábias palavras, ou, simplesmente, ouvir a sua voz falando comigo de novo! Mas aquela mulher que me amava com todos os meus defeitos, com minha TPM terrível, com minha chatice crônica, meus arroubos de mau humor, meu gênio explosivo, minha intolerância, minha arrogância, meu individualismo, minha mania de ser a dona da verdade, enfim, aquela mulher que me amava, sobretudo, pelos meus defeitos, foi embora! E eu nunca mais poderei compartilhar meus momentos com ela, sejam eles bons ou ruins. Minha mãe, meu amor incondicional, não está mais aqui. Perdi meu porto seguro.
Tempo.
Lembro que no dia do velório muitas pessoas tentavam me confortar com a seguinte frase: “com o tempo tudo vai melhorar...” A intenção era a melhor, eu sei! Mas isso é um ledo engano. Descobri que essa máxima não se aplica à perda da minha mãe. Nunca se aplicará. O tempo pode até curar algumas dores, disso não duvido. Cura a dor do coração partido, das desilusões, das decepções, das mágoas, cura até algumas frustrações. Mas o tempo não cura a dor de perder a mãe, o pai, o filho ou o irmão. Ah, essas dores não tem cura!
Rituais.
Eu quero muito ter um ritual para homenagear minha mãe. Ainda não tenho. As cinzas dela foram levadas para Conceição do Coité, sua cidade natal, ou seja, eu não tenha nenhum lugar, mesmo que simbólico, para visitá-la. O único lugar no qual a visito constantemente é nas minhas memórias.
Pensei em mandar rezar uma missa na terça-feira, dia 06/05 na Igreja da Piedade (que ela freqüentava). Desisti. Não conseguiria entrar lá. Mas quero um ritual. Quero um momento de conexão com minhas dores, minha saudade, meus pensamentos. Preciso disso.
Segunda, 05/06, pensei: já que não mandei rezar a missa na Piedade vou ao Bonfim logo pela manhã (minha mãe adorava essa igreja). Achei apropriado e pensei: “poxa, esse pode ser o lugar para meu ritual simbólico”.
Manhã de terça-feira, 06/05 – dia do aniversário de minha mãe: tinha um ótimo motivo e tinha tempo disponível, mas eu não fui ao Bonfim!
Tarde de terça-feira, 06/05: estava na Pituba e pensei ‘vou à igreja Nossa Senhora da Luz rezar pelo aniversário da minha mãe’. Tinha o motivo, a oportunidade e tinha tempo. Mais uma vez eu não fui!
Simples assim. Sem desculpas. Não fui. O aniversário da minha mãe passou e eu não lhe rendi nenhum homenagem. Queria ter rezado pela minha mãe. Mas não o fiz. Só pensei muito nela... Como sempre o faço: com muita saudade!
Lembro que ano passado aconteceu a mesma coisa, o dia 06/05 caiu num domingo. Eu estava em Cape Town e tinha uma igreja bem pertinho da minha casa, dava para ir andando. Já na noite anterior me programei mentalmente para acordar cedo e assistir a missa das 8h. Realmente acordei cedo. Realmente saí de casa em direção à igrejinha antes das oito horas. Porém, no meio do caminho, desviei. Virei à direita e sentei no News Café. Decidi tomar café e não mais ir à igreja. Liguei para minhas amigas e acabamos tomando o café da manhã por lá. Depois fomos para outros lugares e acabei só retornando para casa muito tarde da noite. Não consegui rezar pela minha mãe no dia do seu aniversário. Queria tê-lo feito. Mas não o fiz!
Não que eu não reze ou faça orações para ela. Eu o faço. Mas não consigo fazê-lo nesses dias mais especiais: o aniversário dela (06/05), o dia das mães (segundo domingo de maio) e a data da sua morte (05/08). Tenho pensado muitas coisas, mas realmente não sei o que me trava! Fuga? Covardia? Medo de encarar as coisas tais como elas são? Medo de ser humana e chorar compulsivamente? Tenho conversado muito com minha psicóloga sobre isso. Espero poder encontrar a resposta.
Ainda quero um ritual.
O próximo domingo é dia das mães!
Saudade.
Já se passou um ano e nove meses desde que minha mãe se foi e a dor hoje é muito mais pungente do que no dia 05/08/06, quando ela faleceu. Aliás, é maior também do que a dor que senti no dia 31/03/06 quando soube que eu não teria mais nenhum natal ao lado dela, já que só lhe restava em torno de seis meses de vida. Ela viveu apenas quatro.
Isso foi muito cruel.
Percebi que aproveitei tão pouco minha mãe. Ela era tão fantástica, tão extraordinária. Poderia ter aprendido tanto com sua sabedoria, com sua bondade, com sua sensatez, com seu equilíbrio... Além disso, poderia ter aprendido também com seus dotes culinários, com seus múltiplos dotes artísticos. Mas aprendi muito pouco. Sempre achei que ela viveria muitos e muitos anos, até morrer bem velhinha e acreditava que ela estaria aqui para me ensinar todas essas coisas no momento certo. Mas descobri, tarde demais, que o momento certo é o hoje, o agora. Naquela época não sabia disso. Minha mãe tinha apenas 62 anos, eu achava que tínhamos muitos anos juntas. Como eu poderia imaginar que tudo mudaria tão rápido? Que em apenas quatro meses ela não estaria mais comigo? Que me restaria apenas recordações, uma enorme saudade e uma dor que nada consegue deter?
Como não sentir saudade da “Spilberg” da família? Da artista talentosa, que além de saber fazer coisas lindíssimas com as mãos, não perdia uma oportunidade de entreter a família com suas peças de teatro, musicais, estórias ou apenas brincadeiras divertidas. Ela tinha uma criatividade fenomenal! Sempre bolando algo diferente para abrilhantar os momentos familiares.
Saudade.
Já se passou um ano e nove meses desde que minha mãe se foi e a dor hoje é muito mais pungente do que no dia 05/08/06, quando ela faleceu. Aliás, é maior também do que a dor que senti no dia 31/03/06 quando soube que eu não teria mais nenhum natal ao lado dela, já que só lhe restava em torno de seis meses de vida. Ela viveu apenas quatro.
Isso foi muito cruel.
Percebi que aproveitei tão pouco minha mãe. Ela era tão fantástica, tão extraordinária. Poderia ter aprendido tanto com sua sabedoria, com sua bondade, com sua sensatez, com seu equilíbrio... Além disso, poderia ter aprendido também com seus dotes culinários, com seus múltiplos dotes artísticos. Mas aprendi muito pouco. Sempre achei que ela viveria muitos e muitos anos, até morrer bem velhinha e acreditava que ela estaria aqui para me ensinar todas essas coisas no momento certo. Mas descobri, tarde demais, que o momento certo é o hoje, o agora. Naquela época não sabia disso. Minha mãe tinha apenas 62 anos, eu achava que tínhamos muitos anos juntas. Como eu poderia imaginar que tudo mudaria tão rápido? Que em apenas quatro meses ela não estaria mais comigo? Que me restaria apenas recordações, uma enorme saudade e uma dor que nada consegue deter?
Como não sentir saudade da “Spilberg” da família? Da artista talentosa, que além de saber fazer coisas lindíssimas com as mãos, não perdia uma oportunidade de entreter a família com suas peças de teatro, musicais, estórias ou apenas brincadeiras divertidas. Ela tinha uma criatividade fenomenal! Sempre bolando algo diferente para abrilhantar os momentos familiares.
Mãe, é assim que eu sinto hoje, uma saudade cada vez maior, uma admiração que não se apaga e uma vontade enorme de pode olhar para você e dizer: Eu te amo! Você foi fantástica. A mulher mais especial do mundo e a mãe mais maravilhosa que eu poderia ter. Obrigada por tudo. Por ter sido tão dedicada, por ter me criado tão bem, por ter me ajudado em tantos momentos, por ter me aceitado com todos os meus defeitos (e eu sei que não são poucos!!!). E, principalmente, ter me amado tão intensamente.



4 comentários:
agora que eu ja consigo enchergar as letras menos embaçadas acho que consigo escrever...
fazia tempo q eu nao chorava, desde umas 2 semanas depois q toda essa avalanche de mudanças começou a acontecer na minha vida.
Cris, deixa eu te contar uma coisa, vc esteve na Igreja sim... em todos os momentos que os teus pensamentos te levaram até a tua mãe. Quando Jesus disse q destruiria o Templo e o reconstruiria em 3 dias, estava falando de seu proprio corpo que morreu e ressucitou. O teu corpo é um Templo de Deus. Por isso o teu ritual se cumpre , sem vc perceber.
Eu nao sei se essa dor passa Cris, seria hipócrita da minha parte te prometer uma coisa pela qual eu nao passei. Mas eu creio que esses 60 ou 70 anos q ainda temos pra viver aqui sao um piscar de olhos perto da eternidade depois. e na eternidade eu te garanto que esta dor nao vai existir. por isso vamos seguir felizes , pq para o futuro só o melhor nos está reservado.
Anna, que lindas palavras. Obrigada! Pelo apoio de sempre! Estou seguindo em frente. Mesmo que derramando algumas lágrimas de vez em quando, procuro sorrir...sempre.
Beijo carinhoso,
Cris
Cris,
Minha amiguinha querida...chorei muito ao ler esta página. Chorei muito, pois sempre achei a sua dor inimáginavel.. e talvez por conhecer você tão bem, sabia que esta dor está muito guardada dentro de você. Sei que foi e é a sua forma de lidar com as asperezas da vida ( e esta com certeza é a maior de todas elas). Não pense tanto se é a forma correta. É a sua forma. Admiro imensamente a sua força...força que tenho certeza foi forjada pela criação maravilhosa que D. Miloca deu à você. Só queria que soubesse, que se em algum momento, esse seu coraçãozinho quiser se destrancar um pouco, conte com sua amiga. Sempre quis amenizar um pouco o que você sente. Sei que é impossível. E fiquei extremanente comovida, quando me contando sobre como você tentava consolar Norma sobre a perda seu tio Joãozinho, você disse que era uma dor que não passa. Que não vai passar nunca. Sei que é assim. Álias, não ouso nem dizer que sei, pois só você sabe o tamanho da dor que sente. A única coisa que posso te dizer e que não é consolo de forma alguma, mas é algo de que tenho certeza. Você foi uma filha exemplar para a mãe exemplar que teve. Não se culpe nunca.Em muitos momentos, admirei a ligação que tinha com sua mãe- os almoços de domingo, as conversas alegres... e até mesmo a sua franqueza e seu mal humor. Isto faz parte da pessoa maravilhosa que você é.E tenho certeza absoluta que sua mãe sabia exatamente a imensidão do amor que você tinha por ela. Lembro sempre de Miloca com muito carinho. Rezo sempre por ela. E uma das coisas que sempre digo a ela quando rezo... é que fique tranquila, pois ela formou e criou filhos maravilhosos.
um beijo e um abraço bem apertado... e um colinho também... a hora que você quiser viu???
Mari
Mari,
Me fazendo chorar, né??? Só porque eu falei que estava guardando tudo vc vem escrever essas coisas para as lágrimas ficarem pulando dos meus olhos! Assim não vale!
Você já sabe que é muiiiiiitooooo especial e que eu TE ADORO!!!!!!!!
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